terça-feira, 21 de outubro de 2014

A evolução da mulher na indústria musical

A profissão de cantor começou a ser posta em prática entre o fim do século XIX e começo do XX, antes deste período, a música era definida apenas pelos ritmos instrumentais, como a valsa. Com os ares da nova época, abriu-se espaço para o profissional cantor, o intérprete que tentaria passar, através de sua voz, os sentimentos das composições e das melodias. Desde o início da profissionalização do interprete, apenas os homens tinham espaço na grande maioria das gravações e nas composições, as mulheres, personagens secundários na grande parte da cronologia histórica, estavam ganhando espaço durante o século XX, porém, as cantoras ainda eram vistas com bastante preconceito por grande parte das sociedades do período. Geralmente, tal profissão era vista como algo próximo da prostituição, seres do submundo, dessa forma poderiam ser consideradas as primeiras grandes cantoras por parte dos críticos. Nos Estados Unidos, país que estava se transformando em uma grande potência durante o fim do século XIX e começo do XX, tinham como uma de suas bases culturais mais fortes da formação de sua nacionalidade, os sons feitos por negros, descendentes diretos dos escravos do período colonial. Tais músicos trouxeram a musicalidade de seu continente de origem e adaptaram ao novo espaço geográfico em quê viviam. O jazz e o blues conquistaram de cara grande parte das elites intelectuais e passaram a ser comercializadas com outras regiões do mundo, entre os representantes do estilo, se destacou uma artista feminina, Billie Holiday, uma cantora de primeiríssimo nível que interpretava as composições como se realmente tivesse sentido toda a emoções das letras.


 Apesar de ser uma artista de alto nível, Billie não teve uma vida nada fácil, foi abandonada pela mãe logo cedo, teve que se sustentar sozinha e chegou a cantar em bordéis, a proximidade com o submundo da sociedade influenciou a artista a escolher composições densas e complexas, que iam do racismo até o papel da mulher na sociedade, passando por amores bandidos. Uma das mais famosas, intitulada My Man, dizia:

Duas ou três garotas
Ele tem
Que ele gosta, assim como eu
Mas eu o amo

Eu não sei por que eu deveria
Ele não é verdadeiro
Ele me bate, também
O que posso fazer?


Polêmico não? Imagine para a sociedade da década de 30? Do outro lado do oceano, no continente europeu, a francesa Edith Piaf (que nasceu no mesmo ano de Billie Holiday), causava igual polêmica. Abandonada pela mãe prostituta, criada no bordel da avó e cantora das ruas, Piaf tinha tudo para dar errado, porém, graças a seu enorme talento conseguiu conquistar um número grande de admiradores que apostarem no seu potencial. Enquanto foi viva, Piaf cantou temas polêmicos, semelhantes ao que ela vivenciava diariamente, nos estágios finais de sua dramática vida, Piaf interpretou a composição Non, Je Ne Regrette Rien (em tradução, Não, não me arrependo de nada), em que mostrava que não se arrependia de todos os seus sofrimentos e perdas.


No cinema, a cantora e atriz Marlene Dietrich surgiu com sensualidade nas telas, interpretando personagens femininas de atitude liberal para a época e interpretando canções com um perfil sensualizado.


No Brasil, as cantoras de Rádio ganham espaço durante o período, a mais conhecida delas, que depois iria ser intitulada como “Rainha da MPB”, chamava-se Dalva de Oliveira, que entraria para a história como uma das maiores cantoras e interpretes que o Brasil já conheceu.


Na década de 50, apesar da colaboração dada pelas grandes cantoras de jazz e blues, a profissão de cantora ainda não era vista com bons olhos. June Carter, uma das primeiras estrelas country da música norte americana, causou furor com a sociedade pós - guerra ao se divorciar diversas vezes e entrar em turnê com músicos homens (como Johnny Cash e Elvis Presley). A atitude de June abriu espaço para outras artistas se aventurarem no machista mundo da música, Patsy Cline, foi uma das mais importantes. Musa do blues, Patsy também foi uma das primeiras artistas a fazer sucesso com suas próprias composições.

Antes de Patsy, um caso chama atenção na história da indústria fonográfica. Elvis Presley, um dos artistas masculinos mais importantes da história da música, ficou conhecido por diversas músicas, uma em especial, intitulada Houd Dog, guarda polêmica. O que poucas pessoas sabiam durante o lançamento da tal música (na década de 50), era que ela tinha sido gravada alguns anos antes pela cantora Big Mama Thorton, fazendo razoável sucesso nas paradas de R&B do período. Elvis também iria se envolver em outra polêmica na sua carreira, Dolly Parton, uma das cantoras country mais importantes do estilo, acusou o grande astro de tentar roubar uma de suas músicas, I Will Always Loving You. A música iria ser gravada posteriormente pela cantora Whitney Houston. 

Os dois casos citados acima mostram o tratamento que a indústria fonográfica reservava as mulheres durante a metade do século XX. Não tardou para a imagem feminina começar a mudar no panorama musical, a proximidade com a emancipação feminina e á liberação sexual iriam ajudar a reformular a imagem da mulher na sociedade, durante a década de 60 duas artistas femininas iriam conquistar as paradas americanas no auge da "Bealtemania", Diana Ross (vocalista do grupo The Supremes) e Barbra Streisand. 


Pouco depois, surge Janis Joplin, ícone feminino do período da psicodelia, do amor livre e do culto a filosofia hippie. Janis liderou uma banda (Big Brother & The Holding Company) e ficou famosa por compor suas próprias músicas de forma irreverente. Pela primeira vez, uma artista surgia como representante de um estilo musical em igualdade com os homens. Janis chegou a ser uma das headlines do Woodstook, festival antológico da década de 60.


O sucesso de Janis entre o público alternativo abriria espaço para outras artistas serem notadas no fim da década de 60 e começo da década de 70. Surge a primeira era de cantoras/compositoras, formada por nomes como Joni Mitchell, Carole King e Carly Simon. A canadense Joni Mitchell ficou famosa como uma das maiores poetisas da história do cancioneiro popular. Já King e Simon, entraram para os anais da música como duas das primeiras compositoras feministas. Uma canção em especial, intitulada de Natural Woman, ficou famosa na interpretação de Aretha Franklin durante o período, a antológica música foi composta por Carole King.


De todos os nomes femininos, nenhuma compositora conseguiu impressionar mais do quê Patti Smith. Com atitude punk e composições poéticas de impressionar os maiores mestres em letras. Patti também iria marcar por seu visual absurdamente andrógino, confundindo o público com sua figura dúbia.

No Brasil, durante a década de 70 surge um tipo diverso de artista feminina, raro de ser visto no mundo nos dias atuais, a artista ligada as causas políticas. Durante o período da ditadura, os truculentos militares tiveram que suar para tentar barrar as fúrias de Elis Regina, Gal Costa e Maria Bethânia. As três gravaram hinos contra a imposição política e fizeram shows protestos antológicos (como o épico Fa-Tal – Gal a Todo Vapor). As três foram censuradas, perderam contratos, foram perseguidas politicamente e quase passaram pelo processo de exílio político.

Acompanhando o período, surgia Debbie Harry, vocalista da banda de punk/new wave Blondie. A cantora iria chamar atenção por sua imagem sensual e atitude punk, comparáveis ao comportamento de artistas masculinos rebeldes como Iggy Pop e Lou Reed. Debbie virou musa da década de 70 e a imagem feminina do rock and roll durante o período.

Nas danceterias surgiam os primeiros hinos femininos dançantes, influenciados pelo estouro da era Disco. Dois dos maiores hinos do período, It´s Raining Man e I Will Survive, marcaram especialmente por suas letras. A primeira falava de uma chuva de homens e a segunda sobre o novo papel feminino durante o fim de um romance, mais maduro e independente. Apesar de se tratarem de hinos das mulheres, as duas músicas acabaram caindo no gosto do público gay, tornando-se trilha sonora.



Durante a década de 80, surgia uma nova visão de mundo, o mercado fonográfico passava por mudanças e a música se aproximava definitivamente da globalização e dos avanços tecnológicos. Comercializar música durante o período se tornou bem mais prático, lojas de discos se tornaram fácil de serem encontradas e começou a pipocar danceterias nos quatro cantos do mundo, além da estreia da MTV, que iria abrir espaço para um novo tipo de artista feminina, a artista irreverente.


No início da era MTV, Madonna e Cyndi Lauper entraram na história como novos símbolos da imagem feminina. As duas falavam basicamente de diversão, o primeiro single de Madonna, intitulado Holiday, falava de maneira aberta sobre celebração e festa, Cyndi, bem mais direta, intitulou de Girls Just Wanna Have Fun o primeiro single do seu álbum solo. Não deu outra, viraram dois hinos. Girls Just Wanna Have Fun, em especial, merece atenção, o vídeo (dirigido pela própria Cyndi, algo raro para a época) mostra uma adolescente rebelde, interpretada pela própria cantora, que quebra todos os padrões impostos pela sociedade e busca apenas tirar o melhor proveito da vida.



Apesar das imagens liberais, as duas artistas ainda sofriam pacas para se livrar de suas raízes na busca pelo sucesso. No vídeo de Borderline, Madonna mostra os percalços de uma garota tentando virar estrela e tendo que lidar com um namorado ciumento, no fim, depois de uma experiência negativa com o sistema, a Madonna do vídeo volta para o ex. Já Cyndi, bem mais disposta a encarnar os padrões da época, lança o vídeo de Time After The Time. O vídeo começa de forma épica, mostra o diálogo de um filme antigo em quê um personagem homem abandona uma personagem mulher e a deixa sozinha. Pressionada pelo namorado por causa de seu visual e da falta de liberdade, a Cyndi do vídeo não pensa duas vezes, abandona o namorado possessivo e parte para a cidade grande.



Donna Summer e Pat Benatar, duas artistas bem mais experientes e experimentadas que Madonna e Cyndi na época, também entram para a história com dois singles e vídeos épicos, She Works Hard To The Money e Love Is A Battlefield. O primeiro ficou conhecido por mostrar a rotina tortuosa de uma mulher que sustenta os filhos sozinha, tem vários empregos e é posta em situações de stress pós traumático, o vídeo termina de forma épica com várias dançarinas representando diversas profissões femininas. Já Pat Benatar, lança uma das melhores produções da época com Love Is A Battlefield, vídeo que retrata as desventuras de uma adolescente que é expulsa de casa pelo pai e é obrigada a encarar os personagens do submundo, o vídeo conta com uma grande referência a prostituição.



Continuando a rivalidade do período, Cyndi e Madonna entram em 1985 dispostas a tudo para alcançar o topo. Cyndi lança a antológica She Bop, música que fala abertamente de masturbação feminina e grava um vídeo retratando uma sociedade americana antiquada, pasteurizada e repressora. Já Madonna, cansada de ser eclipsada pela rival, aposta todas as suas fichas no disco Like A Virgin, depois de causar furor no VMA 1984, a artista viraria estrela global com o single Material Girl, música que falava abertamente de uma mulher que buscava apenas os bens materiais. No vídeo da música, Madonna mostra uma mensagem um pouco diferente, se inspirou na vulnerável Marilyn Monroe para mostrar que tudo não passava de uma grande interpretação, que na verdade, o que importava era o amor (aham... sei)


Década de 80 também foi centro de um dos maiores retornos femininos a história da música. Tina Turner, considerada por muitos umas das artistas femininas mais importantes de todos os tempos, ressurge nas paradas de sucesso com tudo com o disco Private Dancer e coloca em dúvida as próprias regras da indústria. A cantora foi casada por vários anos com Ike Turner, importante músico norte americano e um dos pioneiros do rock and roll (ele ajudou a tocar em uma das primeiras gravações do estilo), o relacionamento começou rápido e Tina logo foi alçada ao posto de vocalista principal da banda do companheiro. O que poucos sabiam é que a cantora sofria sucessivas agressões físicas de Ike e humilhações de todos os tipos. Quando resolveu terminar, ela ouviu "você irá dar em nada sem mim", decidida, optou pela liberdade e renasceu como uma fênix. A cantora ainda deu a resposta ao ex duas vezes, quando seu livro autobiografia virou um best seller em 1986 (quando ela revelou o que passava em seu casamento) e em 1992 com o filme Tina. Virou um grande símbolo de vitória feminina.


A conceituada Aimeé Mann, teve um começo artístico menos digno com a banda Til Tuesday, porém, rendeu um vídeo que também representa a época, a baladinha cafona Voices Carry. A produção mostra uma roqueira alternativa que se casa com um yanque e tem que passar a lidar com o comportamento truculento do companheiro, que não aceita de nenhuma forma o seu visual e tenta molda-la de acordo com os padrões da sociedade. No fim do vídeo, Aimeé surta e grita desesperadamente em um teatro lotado de figuras da sociedade.


Grace Jones causa delírio entre o público com seu visual excêntrico e com seu antológico show intitulado de A MAN SHOW. Durante a apresentação, a artista apresentava performaces nada convencionais e lançou um livro contendo fotos ousadas de nudez e sexualismo.



Disposta a tudo para chocar a sociedade, Madonna lança em 1986 o hino Papa Don´t Preach, música que continha uma letra surreal de uma adolescente falando para o seu pai que não iria abortar a criança que estava esperando de seu namorado. A música causou espanto entre o público e tornava-se o começo da dominação em massas da artista. A partir daí, não existia mais Cyndi Lauper na indústria, apenas Madonna.


Ressurgindo das cinzas no mundo da música durante os anos 80, a já veterana Cher sempre foi uma figura feminina de grande importância para música. A artista foi uma das primeiras a mostrar a barriga e a apostar em visuais excêntricos, depois de reformular sua carreira por diversas vezes, Cher fecha a década de 80 com chave de ouro com If I Could Back Time. A música não tinha nada demais, mas o vídeo, onde Cher aparecia com um maiô minúsculo e se colocando claramente no papel de mulher objeto (ela cantou para mais de 1000 marinheiros) é lembrado até hoje.

Durante a década de 90, Madonna ainda continuou liderando a imagem feminina no mundo da música e ajudou as mulheres a conquistarem cada vez mais poder entre os chefões da indústria. Fez uma tour antológica (Blond Ambition), foi a primeira mulher a assinar um contrato milionário com a indústria e a ter sua própria produtora. Em 1993 coroa sua fama de má com a música Bad Girl.


O grupo Em Vogue, não tão lembrado hoje em dia, marcou a década de 90 com a música Free Your Mind. Apostando em uma atitude mais ousada e bem liberal, o grupo abriu as portas para uma classe gigantesca de artistas e grupos femininos ligados aos estilos musicais de negros, passando por rappers como Lil Lim e girlbands como Destiny´s Child. O começo da música as quatro integrantes esbravejam:
“Visto roupas justas e ando com salto alto, porém, não quer dizer que eu sou uma prostituta. Curto rap e hip hop, porém, isso não quer dizer que eu vendo drogas.”


Apesar de não ter sido lançado por uma artista feminina, o vídeo da música Crazy, da banda de rock Aerosmith, entrou para a história por mostrar duas adolescentes (Alicia Silvestrone e Liv Tyler) fugindo da escola e embarcando em uma viagem ousada. As duas, que eram menores de idade durante a gravação do vídeo, se tornaram símbolos de uma geração, a nova era da “perca da inocência”, o começo mostra a personagem de Alicia fugindo da escola com sua roupa de colegial e usa de simulações de lesbianismo. O vídeo abriu espaço para Britney Spears aparecer rebolando em Baby One More Time e a dupla t.A.t.U. surgir causando polêmica na década de 00 com o vídeo All The Things She Said.


Quando os discursos das veteranas da década de 90 já começava a ficar datado, surge Alanis Morissete com a música You Oughta Know. Single com pegada roqueira, a letra marcou uma geração por falar de forma direta e o mais breve possível sobre a situação vivida por uma mulher abandonada e trocada por outra. Porém, ao invés de sofrimento, Alanis demonstrava fúria, raiva, ódio e desejo de vingança, sentimentos nada nobres.



Lauryn Hill já tinha conseguido um feito inédito durante a década de 90, ter virado vocalista principal de um grupo de rap, o famoso Fugees. Em determinado momento a artista virou maior que seu próprio grupo, gerando conflitos com os companheiros, quando decidiu entrar em carreira solo, a artista teve liberdade de criar o disco que queria e virou um ícone da música americana moderna. Porém, para quem não frequentava os bastidores do mundo da música, não tinha ideia que a cantora passava a entrar em sucessivos conflitos internos com a própria indústria que à divulgava. Pressionada para manter o sucesso e a  qualidade sonora, a artista lançou um Unplugged MTV um tanto quanto controverso, ao invés de cantar grandes sucessos, a cantora utilizou o espaço para lançar um disco protesto contra o mundo da música. Depois do disco, Lauryn jamais conseguiu refazer suas relações com a indústria.



A também canadense Shania Twain  iria tirar o seu pedaço do bolo com o single Man, I Feel Like A Woman. Música com temática feminista e que mostrava um vídeo onde a artista se mostrava a frente de uma banda de bonitões que pareciam, de alguma forma, manipulados por seu poder de sedução. 


Com o surgimento da década de 00, pouco tinha o que se mostrar. As mulheres já tinham conquistado bastante espaço na sociedade e já eram vistam em olhar de igualdade pelos homens. O grupo Destiny´s Child, abre a nova era com a música Independent Woman, trilha sonora do filme As Panteras. Mas apesar do sucesso comercial não causa tanto impacto social. Três anos depois, quando entrava em carreira - solo, a cantora Beyoncé iria chamar a atenção com as letras do seu disco Dangerously In Love, onde se colocava no papel de uma mulher submissa e que faria tudo para satisfazer o seu homem.

Indo contra a maré, surge um novo modelo de artista feminina no pop, a vingativa. Tendo como pontapé inicial, pasmem, o vídeo da cantora Hilary Duff, da canção So Yesterday mostrava uma garota irreverente que dava o troco no namorado roubando sua camisa (onde estava escrito “everything in Texas is bigger”) e tirando foto com diversas pessoas desconhecidas. A cantora não pensa duas vezes antes de fazer terrorismo psicológico no ex, no fim envia uma foto com uma camisa escrita “You so yeasterday”.


Logo em seguida, surgem Kelly Clarkson com o vídeo Since U Been Gone, onde ela quebra o apartamento do ex, Carrie Underwood com Before He Cheaps, onde destrói o carro do ex e Lily Allen com Smile, onde passa dos limites e faz as piores atrocidades com o ex parceiro.




Enquanto a figura feminina iria se degradando nas imagens de pseudo - celebridades como Paris Hilton e Jessica Simpson, a vocalista do Evanescence, Amy Lee, lançava o vídeo de Everybody´s Fools, onde mostrava as pressões que uma mulher era obrigada a passar para chegar até o estrelado. P!nk, no vídeo de Stupid Girls, também criticava a nova imagem feminina negativa as mulheres, a artista satirizou nomes famosos como Lindsay Lohan e Nicole Ritchie para mostrar como a imagem de tais garotas prejudicavam a cabeça das adolescentes, em uma dos trechos ela falava:
“Onde foi parar o sonho da primeira garota a virar presidente? Foi parar em um vídeo do 50 Cent”

Durante anos de sua carreira, a veterana Mariah Carey foi manipulada e monopolizada por seu marido e chefão da indústria, Tommy Mottola. Apesar de aparentarem terem um casamento perfeito e união profissional estável durante a década de 90, na realidade, a cantora se sentia presa em sua vida privada e em sua carreira artística. Depois do divórcio, a cantora buscou uma nova identidade e foi tanto perseguida como boicotada pelo ex, que fez de tudo para destruir sua carreira. Depois de um longo período de fracassos, Mariah chegou na metade dos anos 00 com o disco The Emancipation Of Mimi, nome simbólico escolhido para retratar a real liberdade artistica da cantora. O disco foi considerado um dos maiores retornos da história da indústria fonográfica e colocou Mariah como exemplo de vitória e força feminina.


Com o estouro de Amy Winehouse, a velha e primaria posição feminina iria voltar á tona. Se na década de 30 Edith Piaf e Billie Holiday se envolviam em relacionamentos furados de onde só tiravam sofrimentos, a inglesa Winehouse também tentou embarcar no mesmo barco. Porém, ao contrário das grandes divas, que eram personagens do submundo, Amy era uma membro direta da classe média. Por alguma razão desconhecida, a artista se deixou envolver de forma fatal por seu parceiro, Blake Civil, e lançou um disco cheio de amargores e corações partidos. A forma degradante que levava o seu relacionamento influenciou uma geração inteira de novas artistas, que vão de Adele até Rihanna. Não faltam hoje em dia vídeos retratando relacionamentos trágicos e que terminam de forma complexa, Rihanna com We Found Love, Lana Del Rey com Born To Die e Taylor Swift com I Knew You Are Trouble. Enquanto Rihanna e Taylor mostram que deram a volta por cima, Del Rey é bem mais trágica e mostra sucessivas cenas de mortes, ao todo, a cantora já morreu quatro vezes em seus vídeos.



Como pode-se notar, o papel da mulher na indústria musical hoje em dia é um tanto quanto complexo, ao mesmo tempo em que elas vão ganhando cada vez mais poder, mais elas tentam mostrar a imagem de serem manipuladas pelo sistema ou por parceiros amorosos. Que fim a imagem feminina vai levar no mundo da música ninguém sabe, porém, com o decorrer dos tempos, elas saíram de um papel subalterno e passaram a ter cada vez mais poder, se elas vão continuar sabendo usar esse tal poder, só o futuro irá responder.

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