segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Regresso: Um retrato realista da colonização das Américas.



Permanece em evidência dentro da indústria cinematográfica histórias impressionantes sobre superações, á alguns anos atrás a bola da vez era “12 Anos de Escravidão”, drama sobre um negro livre capturado como escravo, desta vez todos os holofotes estão voltados para O Regresso. O filme do mexicano Alejandro G. Iñárritu é um épico sobre o período da colonização norte-americana, em alguma localização de extremo frio. Alguns podem até se perguntarem “mas porque esse diretor não fez um épico sobre a colonização mexicana, que tem tanta ou mais importância quanto à norte-americana?”, a resposta está no fato de que se desenvolveram basicamente os mesmos tipos de relacionamentos entre nativos e colonizadores nas Américas, dos índios do interior do nordeste brasileiro, passando pelos Tupis do litoral até tribos do Peru, México e até Estados Unidos. Todos comercializavam produtos dependendo de suas localizações geográficas e as guerras quase sempre eram causadas por estupros de índias e roubos de terras. O inovador aqui está em mostrar que não existiam vilões e nem mocinhos, que os índios não eram totalmente inocentes e que nem os colonizadores europeus eram sanguinários desumanos (isto, na verdade, uma “meia verdade”), mas que todos lutavam por suas próprias sobrevivências. Que o diga o personagem de Leonardo Dicaprio, que em sua saga de vingança passa por acontecimentos dignos de um Neandertal lutando pela evolução humana. As suas cenas de luta com um urso gigantesco e abrindo o corpo de um cavalo para se aquecer estão entre algumas das mais fortes dos últimos anos. O filme pode até chocar alguns estômagos fracos, mas irá agradar aos que buscam uma direção cinematográfica apurada que desenvolva um excelente trabalho estético com a natureza vista em cena. São de tirar o fôlego ás cenas de céus, nuvens, cachoeiras e até de respirações que transformam a produção em um realismo apurado, levando Iñárritu a um nível de diretor que quase conseguiu criar com perfeição o mito do paraíso terrestre acreditado por tantos aventureiros que se arriscaram em terras americanas.


                                          Respiração de Dicaprio em momento emotivo.

                                          Natureza quase ganha vida próprio na produção.
                                          Razões indígenas.



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