Permanece em
evidência dentro da indústria cinematográfica histórias impressionantes sobre
superações, á alguns anos atrás a bola da vez era “12 Anos de Escravidão”,
drama sobre um negro livre capturado como escravo, desta vez todos os holofotes
estão voltados para O Regresso. O filme do mexicano Alejandro G. Iñárritu é um
épico sobre o período da colonização norte-americana, em alguma localização de
extremo frio. Alguns podem até se perguntarem “mas porque esse diretor não fez
um épico sobre a colonização mexicana, que tem tanta ou mais importância quanto
à norte-americana?”, a resposta está no fato de que se desenvolveram
basicamente os mesmos tipos de relacionamentos entre nativos e colonizadores
nas Américas, dos índios do interior do nordeste brasileiro, passando pelos
Tupis do litoral até tribos do Peru, México e até Estados Unidos. Todos
comercializavam produtos dependendo de suas localizações geográficas e as
guerras quase sempre eram causadas por estupros de índias e roubos de terras. O
inovador aqui está em mostrar que não existiam vilões e nem mocinhos, que os
índios não eram totalmente inocentes e que nem os colonizadores europeus eram
sanguinários desumanos (isto, na verdade, uma “meia verdade”), mas que todos
lutavam por suas próprias sobrevivências. Que o diga o personagem de Leonardo
Dicaprio, que em sua saga de vingança passa por acontecimentos dignos de um
Neandertal lutando pela evolução humana. As suas cenas de luta com um urso
gigantesco e abrindo o corpo de um cavalo para se aquecer estão entre algumas
das mais fortes dos últimos anos. O filme pode até chocar alguns estômagos
fracos, mas irá agradar aos que buscam uma direção cinematográfica apurada que
desenvolva um excelente trabalho estético com a natureza vista em cena. São de
tirar o fôlego ás cenas de céus, nuvens, cachoeiras e até de respirações que
transformam a produção em um realismo apurado, levando Iñárritu a um nível de
diretor que quase conseguiu criar com perfeição o mito do paraíso terrestre
acreditado por tantos aventureiros que se arriscaram em terras americanas.
Natureza quase ganha vida próprio na produção.
Razões indígenas.




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