Difícil saber quem é o personagem
mais estranho do filme de estreia do ator Ryan Gosling, Lost River. Se o garoto
que entra em guerra com um gangster por causa de alguns materiais de
construção, a vizinha do garoto que tem uma avó que vive presa em frente a uma
televisão onde assiste VHS diariamente, ou se a mãe do garoto protagonista, que
para sustentar a família aceita trabalhar em um show de horrores movido a sexo
e sangue. Ryan Gosling foi vaiado no Festival de Cannes, mas seu filme é mais
interessante e instigante do que vários filmes que estão pipocando nas
premiações da temporada. O ator filmou um roteiro cheio de “buracos”, onde não
se explica direito quem são os personagens, o que se passa na mente deles ou o
que acontece em torno deles. É de uma coragem gigantesca vender um produto
deste quilate para os grandes estúdios. Tudo isso apoiado por uma direção apuradíssima,
onde as cores se destacam e a cidade praticamente ganha vida própria dentro da
história. No final dificilmente você vai encontrar alguém que tenha realmente
entendido tudo aquilo, mas o que importa mesmo dentro do universo
cinematográfico são as especulações que esta história terá em sua
exterioridade, e nisso, Lost River ganha de lavada de qualquer “O Regresso”,
justamente por não entregar uma conclusão mastigada e de fácil acesso para o
público.

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