Os dois
protagonistas do filme A Garota Dinamarquesa são pintores, então, nada mais
apropriado que o diretor Tom Hooper tenha criado seu filme inteiro com cenas
que remetem a verdadeiras obras de arte. O filme conta a história do casal
Gerda e Einar, ela uma pintora medíocre que nunca conseguiu se destacar, ele,
um artista plástico de paisagismos. Um dia, algo que começa como uma fantasia
sexual do casal, Einar veste as roupas da esposa para uma relação sexual, acaba
virando uma confusão na cabeça do indivíduo, que passa a liberar uma persona
feminina intitulada de Lili. O psicológico da personagem não é mostrado de uma
forma vulgar, mas como um distúrbio psicológico que iria dar o pontapé inicial
para todas as teorias sobre mudanças de gêneros sexuais. A história de
Einar/Lili foi uma das primeiras registradas sobre transgenerismo, e a
sensibilidade do ator Eddie Redmayne em viver um personagem tão tocante é
emocionante, incrível sua mudança de Stephen Hawkings para Lili, um dos mais
excêntricos e experimentados atores de sua geração. Alicia Virkander, que vem
de um grande ano, rouba suas cenas e mostra sua competência ao dar vida a uma
das personagens femininas mais fortes e carismáticas do ano, estranho que mesmo
sendo protagonista ela tenha aparecido no Oscar como coadjuvante, espero que
suas chances de premiação sejam altas. Tom Hooper saiu de sua zona de conforto
de diretor acadêmico de filmes arrastados como O Discurso do Rei e brinca de
Pedro Almodovar germânico, mostrando-se mais à vontade do que em produções
anteriores, seu apanhado sobre a paisagística dinamarquesa é de tirar o fôlego.
Outros pontos fortes da produção: figurinos, maquiagens, montagens e direção de
arte.


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